Me lembro de um texto de Carl Sagan (mas não me lembro agora qual), onde ele falava sobre a admiração e o ceticismo como sentimentos imprescindíveis a um cientista. A admiração pelo objeto de estudo leva o indivíduo a buscar a ciência. O ceticismo o segura no chão, e não o deixa se perder nessa admiração.
Penso que esse comportamento é importante em qualquer ramo das ciências, seja naturais, humanas, exatas, pseudociências, e até mesmo outras áreas do conhecimento: as tecnologias, as linguagens, as artes, a filosofia.
Digo isso porque, recentemente me aproximei pela primeira vez de uma certa ciência (que não vou citar o nome pra não ofender a dita) e, diante da minha dificuldade de entender um discurso de algo que parece tão simples, comecei a suspeitar de que há nos estudiosos da área uma grande admiração por ela, mas pouco ceticismo quanto ao seu modo de fazer as coisas. E isso me fez lembrar do meu irmão que a vida inteira tentou aprender a teoria musical, mas nunca conseguiu, porque sempre contestou o sistema, não aceitando, por exemplo, que haja 7 teclas brancas e 5 pretas dentro da escala e não 12 notas iguais. O caso dele é de muito ceticismo e pouca admiração, oposto ao da ciência que mencionei.
Entendo que a admiração leva o indivíduo ao bom domínio da área. O ceticismo, no entanto, pode levá-lo ainda mais longe, podendo superar os limites.
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12 de dez. de 2014
Admiração e Ceticismo
24 de mar. de 2010
Qual é a cor do 8?

É normal do cérebro humano criar imagens para ideias abstratas, embora muita gente ache esse assunto viajante e evite falar disso. Não estou falando de imaginar um braço quebrando correntes quando se fala de liberdade ou libertação por exemplo, mas de cores e formas, curvas e ângulos, volumes e configurações, para sentimentos, números, fonemas, momentos, e por aí vai.
Tenho um amigo que discute comigo vez ou outra qual a cor do 8. Pra mim, todo número é preto, mas as vogais têm cores distintas no meu cérebro. Tentei aproximar ao máximo as formas e as cores que visualizo para as vogais na imagem abaixo. O resultado me leva à conclusão lógica de que isso é memória do Jardim da Infância.
Na minha cabeça é perfeitamente lógico essa sequência de cores.
Tenho também um diagrama visual para o tempo, que obviamente é uma linha, como acredito que deve ser na cabeça de todo mundo. (Se alguém vê diferente disso, me diga, que eu quero saber e ver também.) De certo modo me intriga a forma como construí minha linha do tempo e por isso quero apresentar aqui. Se alguém quiser se aventurar a desenhar a sua também, eu estou disposto a conhecer pra fazer uma comparação e tentar fazer uma análise. Lá vai:
Curioso, não? Por que o 1º século na vertical? Por que os 900 anos seguintes na horizontal? Por que razão apenas a década de 1980 em todo o 2º milênio fica na horizontal? Se imagino o momento original, por que não visualizo o colapso final (ou a volta de Cristo)?
Mais interessante e mais difícil de representar é o ciclo dos meses do ano. Vamos tentar:
Talvez fosse melhor representar o ciclo numa linha fechada, mas teríamos o problema das distâncias irrregulares entre os meses. Imagine então uma mola espiral.
Bom, se tem utilidade estudar isso, eu não sei. Mas é no mínimo curioso. E satisfaz bem o interesse do público desse blog (eu).
Reconheço que deveria saber mais a respeito, já que minha formação superior é em design (elemento que falta nesse blog). Vou conversar com minha psicóloga pra ver se ela tem algunma dica científica a dar.
4 de mar. de 2010
Dando uma limpa no meu PC

O texto abaixo é uma redação que escrevi na faculdade em 2003 e que encontrei essa semana nas minhas bagunças. Apesar das coisas terem mudado de lá pra cá e eu ter amadurecido como profissional do design, gostei do que encontrei nele. Hoje me parece bem escrito e consigo enxergar nele um zigoto do meu projeto de graduação. Considero interessante pra quem queira entender um pouco a minha visão a respeito do assunto. Segue:
Como vejo o mercado de trabalho
Minha visão do mercado de trabalho não é particularmente minha, mas é fruto de um vasto repertório de visões de professores e colegas. Devido a meu superficial contato com esse mercado, o que tenho a apresentar são especulações e análises baseadas em afirmações alheias, estando presentes, no entanto, alguns poucos frutos de minha própria experiência.
Dentro do contexto capixaba e, principalmente, na região metropolitana de Vitória, é restrito o número de pessoas que entende o significado da palavra design da maneira que deseja o profissional da área. Design está mais associado a normas e padrões estéticos de produtos gerais do que a metodologias e linguagens projetuais de produção em escala. Não apenas entre o senso comum como também em grande parte do meio médio e micro empresarial, o termo design lembra mais o modelo charmoso do carro do ano ou as cores bonitinhas de uma determinada homepage na internet do que o trabalho racional de pesquisa e sistematização da produção. Na visão desse grupo, o designer é menos o profissional que se contextualiza, analisa, projeta, viabiliza e acompanha a produção do que o artista brilhante capaz de gerar situações estéticas mirabolantes.
Aliado a isso, falta ao cliente em potencial a visão da necessidade de que, para ganhar o mercado nacional (e mesmo o local), é importante planejar o conceito e a imagem de seu produto e que, para isso, não basta uma simples campanha publicitária, mas uma construção filosófica, estética e conceitual mais ampla. O desconhecimento do verdadeiro papel do designer implica automaticamente essa falta de visão.
Dentro desse contexto, o profissional do design no Espírito Santo ainda não se afirmou como tal. Embora se apóie numa minoria conhecedora de seu papel e se sustente em sua pouca demanda, o designer capixaba luta para mostrar-se útil, necessário e eficiente num meio dominado por amadores e profissionais despreparados. Cabe a ele, dentro de sua própria metodologia de trabalho, encontrar uma forma de impor sua presença e conscientizar o mercado de sua importância.
26 de fev. de 2010
O Napster do Assovio

Hoje encontrar uma música é muito fácil. Basta saber seu título ou um trecho da letra, acessar o Google e... zaz! Oiga la canción! Mas antigamente era um problema... frases como você tem essa música? Se eu te der uma fita você grava pra mim? Escreve a letra pra mim? etc. eram regra. A Basf e a Tilibra lucravam que só... e a Bic.
Mas ainda há um problema, mesmo na era da internet. Como encontrar a música sem saber nenhum tiquinho da letra (pra quem tem o inglês precário como eu), nem o título ou o artista? Não é possível fazer busca da música apenas pela melodia. Por isso, o Cantarola-fone que o Laerte inventou. Ou o Napster do Assovio, criação minha e de meu irmão.
Como esses recursos não existem, é preciso contar com o acaso. Foi assim comigo e com a canção Hunting High and Low que eu não sabia nem que era do A-Ha... Tive que esperar um belo dia em que um colega de trabalho estivesse ouvindo-a pra descobrir o nome ou copiá-la pro meu pen-drive. O rádio nunca dizia o nome da dita cuja...
Caso alguém sofra do mesmo problema que eu com essa música, linko-a abaixo:
Aha — Hunting High and Low
3 de fev. de 2010
Retalhos

Ontem realizei um sonho de consumo infantil: li um livro de quase 600 páginas em um só dia. Como? É um romance gráfico, livro-gibi para os íntimos. Retalhos, uma obra premiada de Craig Thompson. Recomendo a todos os jovens (e velhos) que buscam viver um cristianismo autêntico.
Quero deixar apenas uma conclusão minha sem estragar o final de quem não leu:
Essa obra me faz lembrar uma ideia muito discutida: o que estraga o cristianismo é a igreja. Mas eu vejo que o problema não é a igreja em si, mas as mentes que insistem em ser medíocres dentro dela. É assim também nos clubes, Ongs, partidos políticos, empresas, em qualquer lugar. Fugir dela não resolve, talvez piore. Acredito que conviver com essas mentes dentro dela é uma oportunidade de entender melhor a Deus e se aproximar mais dele. Dá trabalho...
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